Pentecostes hoje

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06/06/2014 | Isaack Gaitani Mdindile *

De fato, sem o Espírito Santo, Deus está distante, Cristo é do passado, o Evangelho é letra morta, a Igreja é uma simples organização, a autoridade é dominação, a missão é propaganda, o culto é evocação, o agir cristão é uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo e no Espírito Santo, o Universo é elevado e clama pelo Reino de Deus, a presença do Cristo Ressuscitado é reconhecida, o Evangelho é vida e poder, Igreja significa koinonia trinitária, a autoridade é um serviço libertador, a missão um Pentecostes, a Liturgia é memorial e antecipação do mistério, o agir humano é divinizado (Cf. Ignazio Hazim, La resurrezione e l’uomo d’oggi – Ed. Ave, Roma, 1970).

A Solenidade de Pentecostes é uma das celebraçőes mais importantes do calendário cristão, e comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo. O Pentecostes é celebrado 50 dias depois do domingo de Páscoa. A fonte dessa celebração está na Sagrada Escritura, que começa assim: Na tarde de Páscoa, Jesus no cenáculo «soprou sobre eles [seus discípulos] e lhes disse: Recebei o Espírito Santo» [Jo 20, 19-23,]. Este sopro de Cristo evoca o gesto de Deus que, na criação, «soprou sobre o homem, feito de pó do chão, um alento de vida, e tornou-se o homem um ser vivente» (Gn 2, 7). Com aquele gesto, Jesus vem dizer, portanto, que o Espírito Santo é o sopro divino que dá vida à nova criação, como deu vida à primeira criação. O Salmo Responsorial sublinha este tema: «Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e renovai a face da terra» [Sal 103, 1-34. ndr.]

Em hebraico espirito é ruah e em grego pneuma. Ambos os termos estão ligados a processos vitais, pois significam sopro, vento, vendaval e furacão. Inicialmente, o Espírito não é conscientizado como Pessoa, mas como uma força divina e originária que atual na criação, se move nos seres vivos e age nos homens. Pois, o ser humano náo pode viver sem a garganta, respiração, alento e fôlego. No mundo que considera tudo material, mecânico, sentimental, é importante sublinhar e enfatizar a força do Espírito Santo na nossa vida, como uma renovação saliente de todas as coisas.

O Espírito Santo é, portanto, Aquele que permite passar – a criação – do caos ao cosmos, o que faz assim algo belo, ordenado, limpo (cosmos vem da mesma raiz que cosmético, e quer dizer belo!), realiza assim um «mundo», segundo o duplo significado dessa palavra. A ciência nos ensina hoje que este processo durou bilhões de anos, mas o que a Bíblia quer dizer-nos, com linguagem simples e imaginativa, é que a lenta evolução da vida e a ordem atual do mundo não ocorreu por acaso, obedecendo a impulsos cegos da matéria, mas por um projeto aplicado nele, desde o início pelo criador.

Para nós, cristãos, o Pentecostes marca o nascimento da Igreja e sua vocação para a missão universal. Festa do diálogo e da compreensão. Portanto, a Igreja deve continuar a ser sinal, ou seja, precisa tornar visível o Deus invisível; tornar visível o transcendente. Como ela faz isso? Através de sinais visíveis: da comunidade cristã; da celebração do sacramento; da proclamação da palavra etc. Se Jesus é o “Enviado”, cheio do Espírito do Pai, nós, ungidos pelo mesmo Espírito, também somos enviados como mensageiros e testemunhas de paz, missionários, Igreja “em saída”. Quanta necessidade tem o mundo de mensageiros de paz, de testemunhas de paz! Também o mundo nos pede para fazermos isso: levar a paz, testemunhar a paz! A paz não se pode comprar, não está à venda. A paz é um dom que se deve buscar pacientemente e construir “artesanalmente” através dos pequenos e grandes gestos que formam a nossa vida diária (Cf. Homilia do Papa Francisco em Amã – Jordânia, sábado, 24 de maio de 2014).

Pentecostes tornou-se o símbolo do nascimento das comunidades cristãs, reunidas ao redor dos ensinamentos de Jesus. Por isso mesmo a Igreja celebra Pentecostes com a máxima solenidade.
Por fim, a pergunta para cada um de nos é: será que eu tenho todo o Espírito Santo? Aliás, será que o Espírito Santo tem tudo de mim?

* Isaack Gaitani Mdindile é seminarista e estudante da Pontifícia Universidade Católica-SP. ezyone.one@gmail.com

Fonte: Revista Missões

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