Celebramos a festa da Santíssima Trindade

Muito estimados Irmãos e Irmãs!

Celebramos a festa da Santíssima Trindade, a comunhão de amor do Pai,
Filho e do Espírito Santo!
Desejo-lhes uma fecunda missão!
Meu fraterno abraço!

Ir. M. Liani csc

A Trindade é mistério de comunhão, amor e compaixão

Quando dizemos que Deus é mistério estamos nos referindo a um Aonde e a um Alguém que faz com que nos sintamos em casa, estáveis e seguros; que nos supera, envolve e protege de um modo absolutamente gratuito e acolhedor; que nos arranca de nós mesmos e nos abre ao outro; que vence nossa passividade e nos põe a caminho.  Ele é mistério porque, em sua profundidade, nos espanta e, ao mesmo tempo, nos seduz e nos leva além de nos mesmos e além do tempo presente. Bendito seja Deus Pai, Filho e Espírito Santo, porque é grande seu amor por nós!

Quando intuiu este mistério inominável e inapreensível, Moisés “curvou-se até o chão”, prostrado pelo espanto de um amor tão imerecido e desproporcional: descobriu que Aquele que dá sentido e substância ao nosso ser é “misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”, lento e vazio de cólera e punição. Moisés imaginava encontrar Deus subindo a montanha e conservá-lo na lei escrita na pedra fria, mas eis que Ele se manifestou descendo e caminhando no meio do povo…

É insuficiente e falsa a imagem de um Deus pronto a punir o menor dos desvios de criaturas que ele mesmo chamou à vida. É uma parcialidade mal-intencionada ensinar que Deus “não deixa nada impune, castigando a culpa dos pais nos filhos e netos, até a terceira e quarta geração” e, ao mesmo tempo, omitir que “ele conserva a misericórdia por mil gerações, e perdoa as culpas, rebeldias e pecados”. O próprio e original na revelação cristã é o perdão e a compaixão, e não a punição.

Deus é Pai e Mãe, ou vida e amor que nos antecede, Deus antes de nós. Deus é Filho, ou vida e amor compartilhados, Deus conosco. Deus é Espírito, ou vida e amor em nós, ou Deus em nós e em todas as criaturas, ao ritmo da história. O amor se caracteriza por chamar à vida e dar proteção, e nunca por limitar ou diminuir a vida. “Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu filho único, para que todo aquele que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna…”

É verdade que dizer que Deus é Amor não resolve tudo. Esta palavra anda tão inflacionada quanto desgastada. Em nome dele se cometem loucuras e são feitas promessas que não duram mais que uma curta noite de verão. Porém, amor é mais um verbo que um substantivo, e para falar responsavelmente dele devemos ter diante dos olhos o percurso histórico de Jesus de Nazaré: “sabemos o que é o amor, porque Jesus deu a sua vida por nos” (1Jo 3,16).

No coração da melhor teologia desenvolvida pelo cristianismo está a convicção de que Deus não é um conceito que precisamos compreender mais ou menos exaustivamente ou uma doutrina que precisamos aceitas mais ou menos resignadamente, mas um mistério que merece nossa adoração. A teologia, pelo menos a boa teologia, está sempre a serviço da evangelização, ou seja: a questão substancial não é compreender uma teoria mas salvar ou transformar as pessoas e o mundo.

Em Jesus Cristo, Deus se revela não apenas dizendo e ensinando algo sobre si mesmo, mas principalmente agindo, salvando: acolhendo pecadores, alimentando famintos, curando doentes, resgatando a cidadania dos excluídos. Assim, Jesus Cristo revela um Deus que não é prisioneiro dos códigos de pedra ou de papel, que não assume a postura de um juiz distante e imparcial, mas um Deus que ama, que afirma o direito dos sem-direito, que age e julga em favor dos oprimidos.

Eis o caminho da Igreja, nascida para prosseguir a ação de Jesus Cristo: ser mais pastora que cuida da vida das ovelhas mais frágeis e menos professora que ensina leis e doutrinas; sair do limbo dos princípios gerais e vazios e comprometer sua honra influência na defesa de quem é ameaçado e explorado; engajar-se na urgente missão de salvar o mundo com a força do Evangelho e com os recursos do próprio mundo, evitando uma postura autosuficiente de julgamento e condenação.

Deus querido e amável, Compaixão que não conhece ocaso, Abraço que não conhece limites, Comunhão que acolhe as diferenças, Amor que brilha no esvaziamento: glória a ti nas alturas celestes; glória a ti nos caminhos da história; glória a ti na intimidade das criaturas. Em ti somos, nos movemos e existimos. Tu és o Ventre de onde viemos, o Caminho que percorremos e a Pátria pela qual anelamos. Ensina-nos a compartilhar a vida e o clamor dos irmãos e irmãs de todos os gêneros, gerações e religiões. Que a graça, o amor e a comunhão corram soltas nas veias das Igrejas. Assim seja! Amém!

Pe. Itacir Brassiani msf

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s