Capaz de governar

Dom José Alberto Moura

QUARTA, 23 JULHO 2014 11:55

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

Salomão pediu a Deus sabedoria para governar o povo, sabendo discernir o bem do mal (Cf. 1 Reis 3,5-10). O Senhor ouviu o pedido e lhe deu o solicitado: “Vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente” (3,12).

 

Precisamos pedir também para nosso povo saber eleger quem tem essa mesma sabedoria. Quem se coloca como candidato para administrar, legislar e exercer a justiça humana precisa de dons para exercer os cargos acertadamente, conforme a ética e a moral. Dessa forma servirá o povo a quem deve prestar contas, como empregado ao patrão. Um dia também vai prestar contas a quem lhe deu o dom da liderança para ser agente de justiça e promoção do bem comum. Não se servirá do povo para tirar vantagens para si em detrimento do que é do bem público. A justiça será exercida dentro dos parâmetros da promoção do que é adequado para reinarem o direito, a promoção da vida e do bem individual e coletivo. Não será a justiça baseada estritamente no papel e na arte de enganar ou de desviar-se da lei. Não se esconderá a verdade nem se protelará o veredicto, injustiçando-se as pessoas já lesadas em seus direitos e pleitos.

Formar a mentalidade do exercício do mandato com o ideal de servir é fundamental na ordem social. A própria fé, voltada para a prática do amor, da justiça e da promoção da cidadania é de vital importância. Ao contrário, torna-se como a árvore que não dá fruto.

Hoje precisamos muito de fazer realçar valores maiores do que o uso de cargos para o enriquecimento de modo ilícito. Os valores da grandeza de caráter, de luta pelo ideal de servir, de promover a vida, a dignidade humana, a inclusão social e o exercício da liderança na promoção da cidadania, são muito maiores do que apenas ter e mostrar riquezas e benesses materiais e curriculares. A benemerência social é muito mais gratificante para quem tem a cultura do valor da vida e do trabalho em bem do semelhante do que o olhar para interesses egocêntricos e de bem estar material.

Na resposta a Deus sobre o dom da vida nos sentimos com a consciência limpa quando utilizamos nossas capacidades de liderança e oportunidade de sermos eleitos a algum cargo para fazermos o melhor de nós à comunidade. Compreendemos então o que o apóstolo Paulo fala a respeito de quem é agraciado pelo chamado de Deus: “E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou, também os tornou justos; e aos que tornou justos, também os glorificou” (Romanos 8,30). É gratificante, para quem tem retidão de consciência, saber que está no caminho indicado por Deus, para a realização da justiça no próprio cargo!

O exercício de um cargo é realizador para quem o faz como se descobrisse um grande tesouro, que preencheria a sede de viver, por assumi-lo com muito amor ao povo e a Deus. É um meio de buscar o tesouro do Reino de Deus, como o encarou o próprio rei Davi em relação à missão que Deus lhe deu. Jesus fala do tesouro escondido do reino dos céus (Cf Mateus 13,44-52). Quem administra a vida com os critérios dele, como no caso de cargos no serviço ao bem público, está na direção de quem vai adquirindo tentos para o alcance desse Reino!

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