Mensagem do padre Estêvão Raschietti pela morte dos Missionárias Xaverianas

Mensagem do padre Estêvão Raschietti pela morte dos Missionárias Xaverianas

Queridos irmão e irmãs,

recebi atônito a notícia do assassinato da minha tia Olga Raschietti, 82, e de suas companheiras, as missionárias xaverianas Bernadette Boggian, 79 e Lucia Pulici, 75. Estou recebendo aos poucos a descrição e a apuração dos fatos. Foi algo de tremendamente brutal, parecido com muitos crimes hediondos que castigam todos os dias a humanidade, e que não poupam nem os missionários. Todavia, quando acontecem e envolvem pessoas da família, surge ainda mais um senso profundo de indignação e angustia, junto à necessidade da aceitação e do perdão.

Queria expressar os sentimentos da minha família em poucas palavras que resumem muitas lembranças e que procuram um significado ao macabro acontecido.
A morte violenta causada por ações descabidas e gratuitas, é sempre totalmente insensata. Não encontra justificativas em hipótese alguma. Jesus não queria esse fim para os seus discípulos. Dizia-lhes sim, de tomar cuidado com as inevitáveis perseguições: “eis que envio vocês como ovelhas no meio de lobos. Portanto, sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10,16). Então, aconselhava a fugir ao perceber o perigo (cf. Mt 10,23). Com efeito, a Boa Notícia que anunciava a derrubada dos tronos e a dispersão dos soberbos (cf. Lc 1,52), sempre incomodou demais, desencadeando reações furiosas e agressivas por parte dos poderosos e de seus serviçais.

Acredito, porém, que o verdadeiro sentido do martírio não se encontre na crueldade do sacrifício, e sim na exaltação dom da vida que os consagrados e as consagradas fazem de si ao mundo. É um ato que não os torna vítimas expiatórias. Ao contrário, faz deles oferendas gratuitas em um dar-se completamente louco, que se realiza plenamente no dom, no perdão e na reconciliação mais radical. É a busca prática de uma santidade que procura preencher os vazios de humanidade que existem entre as pessoas. Esta santidade, como diria o papa Francisco, não é somente desejável, mas é necessária para a salvação do mundo. Uma santidade anônima, escondida, cotidiana, puramente gratuita, eficaz, feita de uma vida toda, que se celebra hoje com a Páscoa da tia Olga, da Lucia e da Bernardetta.

Particularmente, a minha tia, que sempre me quis muito bem, que sempre rezou por mim, que sempre me escrevia cartas, que sempre me mandava lembranças, que guardo no coração como uma pessoa tenaz, cheia de iniciativa, guerreira, alegre … aposto que fez de tudo para tombar na África, se não desta maneira, pelo menos para evitar de estar longe do seu povo e assim realizar o desejo de se acabar nesta causa, até se identificar com a causa mesma. Desta maneira fez suas, de maneira brilhante, as palavras da Evangelii Gaudium: “eu sou uma missão nesta terra, para isso que estou neste mundo” (EG 273).

Retornando à casa do Pai, essas missionárias de Maria subiram até a fonte da missão, de onde veio sua vocação e aonde agora voltam a mergulhar. Muito obrigado tia Olga, Lucia e Bernardetta pelo dom maravilhoso dessa vida doada! Que a luz do vosso testemunho possa iluminar nossos caminhos, agora com o impulso do legado que nos deixastes!

Às irmãs Missionárias de Maria – xaverianas o meu mais carinhoso e apertado abraço. As vidas das nossas irmãs continuem em cada esforço de sair do cômodo conforto para anunciar o Evangelho em cada beco e a todos os povos.

Às igrejas do Burundi e da República Democrática do Congo, estamos juntos na perda e nos sentimentos. Que o Pai saiba encher de surpreendentes dons o vazio deixado pelas suas missionárias.

Aos confrades, um sincero agradecimento pelo condolências manifestadas, pelo serviço e pela atenção fraterna.

À Conferência dos Religiosos do Brasil e às inúmeras pessoas amigas que manifestaram sua afetuosa proximidade, o meu mais profundo obrigado! É muito bom ver que o Brasil missionário se mobiliza e se comove junto com a gente, buscando inspiração e esperança a partir do sangue derramado. É a certeza que tudo, e muito mais, nunca será em vão.

Pe. Estevão Raschietti, sx, secretário Executivo do Centro Cultural Missionário (CCM).

Brasília, 8 de setembro de 2014

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