A Palavra de Deus alarga nossos critérios de justiça.

Desde a 42ª Assembleia da CNBB Norte 1 lhes repasso as reflexões
Litúrgicas ref ao 25º Domingo do Tempo Comum, preparadas com grande
profundidade pelos fiéis sacerdotes teólogos: Pe. Itacir Brassiani, Frei
Carlos Zagonel, Pe. José Antônio Pagola e Pe. Antônio Geraldo Dala Costa,
aos quais agradecemos.
Que a Palavra de Deus nos molde conforme os critérios da justiça divina e
assim possamos viver com alegria a vontade de Deus em nosso discipulado
missionário.
Partilhamos também a alegria da posse de novo Bispo Dom Fernando Barbosa
dos Santos que será neste próximo domingo, na Prelazia de Tefé.
Com estima fraterna,

Ir. M. Liani Postai csc
Coord. Pastoral
Prelazia de Tefé - AM

10387677_698433556901585_4221264237557390574_n

Avançamos setembro adentro e continua vivo e atraente oconvite e dar atenção à Palavra de Deus. “Lâmpada para os meus passos é tua Palavra!” (Sl 119/118,105). Numa época em que a discussão sobre os direitos humanos, sociais, culturais, econômicos e ambientais continua sem consenso, Jesus Cristo nos propõe uma Justiça que não se orienta pela meritocracia e estabalece firmemente o direito dos sem-direito. A Palavra de Deus alarga nossos critérios de julgamento. É mesquinha a justiça que se contenta em dar a cada pessoa aquilo que lhe é devido.

A parábola do chefe de família que trata com igualdade seus diferentes empregados está literariamente situada logo após o episódio do jovem rico (cf. Mt 19,16-26), aquele que não aceitara a proposta de partilha inerente ao Reino de Deus e que provocara o desabafo de Jesus: “Dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus…” (19,23). Jesus avança e nos propõe um horizonte mais amplo e um exemplo concreto: na parábola de hoje, o chefe de família garante aos diaristas uma moeda de prata por jornada, ou aquilo que é justo, aquilo que um trabalhado necessita para viver.

Alguns trabalhadores contratados começam a trabalhar bem cedo, outros às nove horas, outros ao meio-dia, alguns às três, e outros somente às cinco horas da tarde. A todos, o chefe de família promete um pagamento justo. Enquanto uns labutam um dia inteiro, outros empenham apena s algumas horas da tarde. E o patrão dá ao administrador a ordem de começar o pagamento por aqueles que haviam trabalhado um tempo mais curto. Aqueles que haviam sido contratados às cinco da tarde se aproximam, e cada um recebe uma moeda de prata…

Assistindo ao acerto de contas, e vendo o valor recebido pelos peões que haviam trabalhado apenas algumas horas, aqueles que haviam começado nas primeiras horas da manhã se animam, pensando que receberiam mais. E não ficam satisfeitos quando recebem o mesmo pagamento dado aos primeiros. À primeira vista o protesto parece justo, e nosso desejo é fazer coro com eles. Afinal, fazer justiça não significa dar a cada um aquilo aquilo que merece? Não nos parece justo desconsiderar a diferença entre quem suportou o cansaço e o calor do dia inteiro e quem trabalhou apenas uma hora…

“Tu os igualaste a nós!” Este é o protesto daqueles que se acham no direito de receber mais. A questão não é se precisam ou não, se haviam combinado ou não um pagamento maior. A igualdade não lhes parece  uma coisa justa. Não conseguem aceitar uma ética que tem como princípio estabelecer a igualdade fundamental de todos os seres humanos e garantir-lhes a vida mínima. Mas a verdadeira Justiça considera que cada pessoa tem direito a  receber aquilo que necessita para viver. Uma pessoa jamais perde a dignidade e o direito de ser respeitada e tratada como como sujeito de direitos.

O evangelho de hoje deixa uma pergunta no ar: os peões que se consideram os primeiros e têm dificuldade de aceitar que os últimos sejam igualados a eles não estariam com ciúme da generosidade de Deus? Deus age guiado pela sua bondade e não pelos nossos mesquinhos merecimentos. Deus trata cada uma das suas criaturas segundo aquilo que necessitam, e não segundo estreitas leis que ditam o que elas fizeram por merecer. É muito forte ainda hoje a tendência de imaginar um Deus que age com violenta frieza e pune os mais fracos, um reflexo das nossas relações excludentes e violentas.

Jesus Cristo não deixa dúvidas: Deus dá absoluta prioridade àqueles que as sociedades costumam colocar em último lugar. “Comecem pelos últimos…” Este é o caminho que devem seguir os administradores públicos, privados e pastorais! Este ensinamento parece muito duro, contrário à corrente das nossas convicções. Desafia frontalmente as hierarquizações e os sistemas construídos sobre o princípio do mérito, sempre prontos a premiar algumas poucas pessoas bem-sucedidas e a culpabilizar as maiorias, condenando-as violentamente a uma vida que nem merece esse nome.

Deus pai e mãe, bom e compassivo com todas as criaturas: que teu Espírito regue a semente da tua Palavra a fim de que germine e frutifique em nós! Que a tua justiça generosa ilumine os julgamentos dos cristãos e das Igrejas. Que a inversão das prioridades em função dos últimos se faça verdade em todos os níveis. Que nós não poupemos esforços para defender os direitos dos humanos e de toda a criação. Oxalá aprendemos de vez que que para os cristãos a posse de bens é licita somente quando está em função da generosidade que dá a cada pessoa aquilo que necessita.  Assim seja! Amém!

Pe. Itacir Brassiani msf

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s