MENSAGEM DE DESPEDIDA DO PADRE ANTÔNIO MESSIAS GOMES FERNANDES Pároco de Manduri

Paróquia de Santo Antônio – Diocese de Ourinhos – São Paulo

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Caríssimos Irmãos e Irmãs,
Quando assumimos a missão de ser padre, assumimos a missão de ir aonde o Senhor nos mandas aonde se encontram as necessidades da Igreja, do povo de Deus. Quando nos tornamos padres, deixamos projetos pessoais de lado, sonhos pessoais de lado e assumidos os sonhos e os projetos de Deus e da Igreja. Deixamos nossa família e a assumimos a família chamada Igreja. A casa do padre não é mais aqui ou acolá. A casa do padre é a messe do Senhor, é onde se precisa anunciar o evangelho, é onde alguém tem sede de Deus, é onde a Igreja passa por dificuldades.
Há sete anos o Senhor me chamou para viver o meu ministério sacerdotal aqui nesta maravilhosa terra de Manduri. E aceitei o desafio, confiando na força de Deus, na luz do Espírito Santo e na companhia amorosa da nossa Mãe Maria.
Aqui encontrei desafios, obstáculos e um povo sedento de amor e da palavra de Deus. Encontrei aqui também um povo de coração bom, amigo e acolhedor.
Muitas vezes somos surpreendidos por fatos que acontecem em nossas vidas independentes de nossa vontade ou desejo. Porém quando temos uma missão a ser cumprida, devemos aceita-lá,pois faz parte dos desígnios de DEUS.
Durante sete anos tive a graça de está na presença e vocês, nas reuniões, nas missas, nas pastorais, nos movimentos, na visitas ás famílias, nos encontros de oração. Tempo de graça, de doação, partilha e aprendizado.
Busquei, com o intuito de dinamizar a paróquia, dar o melhor de mim: criamos e revitalizamos vários movimentos e pastorais, realizamos encontros de famílias, jovens, crianças. Me preocupei e cuidei de modo especial pelo dependentes químicos, com a Pastoral da Sobriedade e apoio a Fazenda da Esperança. Rezamos juntos, caminhamos juntos, lutamos juntos e alcançamos muitas conquistas juntos.
Realizamos inúmeras reuniões sociais para as festas comemorativas dos padroeiros das comunidades e da nossa paróquia, que alem de serem momentos de congraçamento, estreitaram e reforçaram os laços entre as vá rias comunidades e todos os componentes da paróquia. Além disso, estes momentos inesquecíveis nos fizeram recordar o espírito de partilha, união, alegria e solidariedade que deve ser a marca dos cristãos, assim como era nas primeiras comunidades cristas.
Todas essas ações estão gravadas eternamente no meu coração e na memória da minha missão realizada aqui nesta Paróquia.
“Dar-vos-ei pastores segundo o Meu coração” (Jer 3, 15). Com estas palavras do profeta Jeremias, Deus promete ao seu povo que jamais o deixará privado de pastores que o reúnam e guiem: «Eu estabelecerei para elas (as minhas ovelhas) pastores, que as apascentarão, de sorte que não mais deverão temer ou amedrontar-se» (Jer 23, 4).
A Igreja, Povo de Deus, experimenta continuamente a realização deste anúncio profético e, na alegria, continua a dar graças ao Senhor. Ela sabe que o próprio Jesus Cristo é o cumprimento vivo, supremo e definitivo da promessa de Deus: «Eu sou o Bom Pastor» (Jo 10, 11). Ele, «o grande Pastor das ovelhas» (Heb 13, 20), confiou aos apóstolos e aos seus sucessores o ministério de apascentar o rebanho de Deus (cf. Jo 21, 15-17; 1 Ped 5, 2).
Sem sacerdotes, de fato, a Igreja não poderia viver aquela fundamental obediência que está no próprio coração da sua existência e da sua missão na história – a obediência à ordem de Jesus : «Ide, pois, ensinai todas as nações» (Mt 28, 19) e «Fazei isto em minha memória» (Lc 22, 19; cf. 1 Cor 11, 24), ou seja, a ordem de anunciar o Evangelho e de renovar todos os dias o sacrifício do seu Corpo entregue e do seu Sangue derramado pela vida do mundo.
Busquei neste tempo que aqui passei ser a personificação destas palavras do Evangelho, com meus limites e dificuldades de pecador, mas com a graça de quem quer sempre servir mais e melhor ao Senhor e ao povo de Deus.
De uma forma bem especial, recordei muitas vezes nas minhas homilias como é difícil ser um cristão autêntico, nos dias atuais, e exorteios a conhecer, praticar e preservar os rituais e mandamentos da Igreja, bem como a palavra de Deus na nossa vida cotidiana, no trabalho e na família. Encorajei-os para que fossemos missionários nos seus lares e locais de trabalho, anunciando e vivendo a palavra de Deus.
Busquei aproximá-los mais de Deus, na Sagrada Eucaristia. Ensinei- os a participar de cada missa como se fosse a primeira e última missa. Busquei e resgatei, várias ovelhas que andavam dispersas e longe da Igreja. Mostrei o caminho que devemos percorrer, que muitas vezes são de cruzes e espinhos, mas ao longo do caminho encontramos Cirineus, Madalenas e o próprio Senhor caminha conosco, nos ajudando a chegar no destino desejado e planejado por Deus.
Busquei Promover o crescimento espiritual dos paroquianos. Fortalecer-lhes a fé, dar-lhes um sentido de comunidade crista e aproximá-los de DEUS foi a minha missão como sacerdote. Creio que aqui tive minha missão cumprida.
Charles Chaplin disse :
“Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha, porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.”
Levo comigo esta paróquia e cada um de vocês, pois somos inseparáveis espiritualmente. Mesmo longe, sempre seremos e estaremos unidos. Pois as pessoas que passam por nossas vidas sempre deixam suas marcas. Saiba que a marca de vocês nunca se apagará.
No livro do Eclesiástico, capitulo 6, versículos 14 ao 16, afirma que: “Amigo fiel é proteção poderosa, e quem o encontrar, terá encontrado um tesouro. Amigo fiel não tem preço, e o seu valor é incalculável. Amigo fiel é remédio que cura, e os que temem ao Senhor o encontrarão”. “Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro”. E aqui encontrei amigos que levarei para sempre comigo. E podemos afirmar com toda a certeza: se hoje formamos uma grande comunidade é porque formos capazes de construir amizades.
Não digo adeus, mas até breve, pois nos encontraremos pelas entradas da vida. Deus os abençoe como família, como paróquia, como irmãos. Sempre estarei rezando e torcendo pelo sucesso e felicidade de cada um de vocês. Recomendo-me também às vossas orações para que eu possa continuar exercendo meu ministério com amor e dedicação, sem nunca desanimar.
“Até aqui viajamos juntos.
Passaram vilas e cidades, cachoeiras e rios, bosques e florestas…
Não faltaram os grandes obstáculos.
Freqüentes foram as cercas, ajudando a transpor abismos…
As subidas e descidas foram realidade sempre presente.
Juntos, percorremos retas, nos apoiamos nas curvas, descobrimos cidades…
Chegou o momento de cada um seguir viagem sozinho…”
Que as experiências compartilhadas no percurso até aqui sejam a alavanca para
alcançarmos a alegria de chegar ao destino projetado. A nossa saudade e a nossa esperança de um reencontro em breve.
O nosso agradecimento àqueles que, mesmo de fora ou de longe, mas sempre presentes, nos
quiseram bem e nos apoiaram nos bons e nos maus momentos.
Divido com vocês os méritos das minhas conquistas e das conquistas desta paróquia, porque elas também pertencem a vocês.
Uma despedida é necessária antes de podermos nos encontrar outra vez.
Que nossas despedidas sejam um eterno reencontro.
Agradeço ao Bispo Dom Salvador Paruzzo que me deu a oportunidade de passar este precioso tempo com vocês e desejo um frutuoso trabalhado ao irmão no ministério, o Padre Adriano Pires, que e breve assumirá sua missão de pastor aqui nesta paróquia. Assim o como fizeram comigo, ajudem-no no seu ministério com o vosso trabalho, companheirismo e oração.
Vou para a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes em Ibirirarema. Sei que lá entrarei desafios e obstáculos, mas sei que também encontrarei um povo bom, de coração cheio de Deus que me ajudará no meu ministério sacerdotal. Vou para lá como se fosse minha primeira paróquia, com o mesmo entusiasmo de sempre, e com a força que vem do Evangelho do companheiro Jesus Cristo.
Termino esta minha mensagem parafraseando Henfil, que disse: Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; se não houver folhas, valeu a intenção da semente.
Muito obrigado por tudo. E até breve.

Pe. Antônio Messias Gomes Fernandes

Manduri, 30 de novembro de 2014

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